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Trigo Balanço Semanal: preços saltam mais de 4% na Bolsa de Chicago após USDA reportar queda nos estoques mundiais de trigo



A primeira semana de abril foi marcada com o início do plantio do trigo no Paraná e com a Conab provisionando aumento na produção nacional da safra 2021 em 6,371 milhões de toneladas

Trigo Brasil

cotação do trigo começou o mês de abril apresentando valorização nos indicadores dos estados acompanhados pela AF News, mas com estabilidade nas cotações do lote do cereal comercializado às cooperativas e cerealistas.

O preço da saca do trigo paga ao produtor (FOB) no Paraná, finalizou a semana a R$ 87,01/saca com alta de 2,63% em uma semana. Em Santa Catarina, os índices subiram 1,57% registrando R$ 81,03/saca. No Rio Grande do sul a cotação encerrou a R$ 79,07/saca com pequeno avanço de 0,28% na variação semanal.

O preço do lote do trigo segue na faixa de R$ 1430 a R$ 1450/ton no Rio Grande do Sul. Já no Paraná, os agentes consultados pela AF News essa semana, disseram que algumas pedidas já estão superiores a R$ 1600/ton, mas que de modo geral, a média está na casa dos R$ 1500 a R$ 1550/ton (FOB).

A comercialização do trigo ainda continua sinalizando lentidão neste período de entressafra, primeiro, pela restrição dos vendedores, que ainda continuam na expectativa que os preços subam ainda mais. Por outro lado, os compradores que estão com uma baixa moagem de farinha, também ainda possuem certa quantia de trigo em estoque e só estão realizando aquisições pontuais.

Essa primeira semana do mês foi marcada pelo início do plantio do trigo no Paraná. De acordo com o Deral – Departamento de Economia Rural do Paraná, o estado já conta com 288 hectares de trigo plantados na região de Cascavel, mas o volume não ultrapassa dos 1% de todas as áreas destinadas ao cultivo este ano, que deve ficar em 1,142 milhão de hectares em todo o território paranaense.

Segundo o analista do Deral Carlos Hugo Godinho, a expectativa é que nas próximas semanas o plantio tenha um bom avanço se o clima colaborar. No entanto, o clima seco também pode fazer com que as chuvas venham abaixo das médias nas regiões que cultivam o cereal, o que não seria um problema para o trigo, desde que haja algum volume de água suficiente para germinação do grão.

O analista ainda diz que “o trigo não é uma cultura muito exigente em água, então pode-se esperar que não seja (um cenário) muito problemático num primeiro momento”, afirmou. Ele lembrou que a perspectiva inicial para a safra de trigo paranaense, formulada com base no potencial de produção, é muito otimista. De acordo com o órgão, o Estado deve colher 3,77 milhões de toneladas do cereal, alta de 21% em relação ao ciclo anterior.

Nesta quinta-feira (08), a Conab divulgou o seu sétimo levantamento da produção de grãos no Brasil, estimando que a produção de trigo no Brasil para 2021 irá atingir 6,371 milhões de toneladas, em uma área projetada de 2,379 milhões de hectares, com uma produtividade esperada de 2,678 ton/hec. Se o resultado for atingido, a produção da próxima safra ficará 2,2% maior que o volume colhido em 2020, porém, comparado a produção que foi estimada em março (6,437 milhões de tons), essa nova previsão de abril teve redução de 1,0%.

Trigo Argentino

Nos últimos dias, o principal destaque no mercado do trigo argentino, foi a queda na moagem do grão do país vizinho, que chegou ao seu menor ritmo dentro de um período de cinco anos.

De acordo com os dados divulgados pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a moagem de trigo da Argentina teve recuperação no mês de fevereiro em relação à média das últimas safras, porém, ao comparar os resultados da moagem atual com a safra 2019/20, observam-se quedas significativas neste primeiro trimestre do comércio de trigo.

De dezembro/20 a fevereiro/21, foram moídos 1,26 milhão de toneladas de trigo, volume inferior aos 1,45 milhão de tons processados no primeiro trimestre da safra 2019. Nesse quadro, o mercado de trigo da Argentina está enfrentando o menor recorde de moagem desde o ano fiscal 2015/16, quando 1,18 milhão de toneladas foram moídos nos primeiros três meses do ano fiscal.

Com o aumento do preço do trigo e os aumentos potenciais de energia, ambos insumos fundamentais para a indústria de moagem, a rentabilidade do setor está reduzida. Embora a persistência do programa de Preços Máximos complique ainda mais a situação, são esperadas melhorias na formulação de políticas a partir do diálogo desenvolvido na “Mesa del Trigo”.

Ainda essa semana, a Bolsa de Valores de Rosário declarou o recuo de La Niña. De acordo com o meteorologista, tanto o El Niño, como o La Niña, devem entrar em um estágio de “neutralidade” até o mês de junho. Perante essas circunstâncias, o produtor de trigo da Argentina, deve se preparar para a semeadura de acordo com o calendário normal de cada região.

Nesse sentido, Aiello assegurou que: “A anomalia no Pacífico mostra um aquecimento progressivo pelo terceiro período consecutivo. Depois de um tempo de espera, que atingiu seu pico em dezembro, o evento de frio “La Niña” está se dissipando. Já estamos entrando na fase do início da neutralidade, que deve ocorrer em junho, em meio à semeadura fina da Argentina”.

Ao mesmo tempo, o especialista destacou: “Nessas circunstâncias, o produtor de trigo deve esperar padrões de chuvas quase normais e pensar em um desenho de semeadura de acordo com o calendário normal de cada região”. Além disso, ele disse que, “nas próximas horas, a passagem da primeira frente em abril vai produzir chuvas na região dos Pampas”.

Trigo Mercado Externo

Os preços do trigo dos EUA começaram a semana registrando recuo nos indicadores da Bolsa de Chicago, após o USDA reportar melhora nas condições de lavouras do trigo norte-americano.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, as condições do trigo no inverno até o último domingo (04) estavam em boas condições. A previsão foi um pouco maior do que alguns analistas esperavam, dada a seca em curso nas planícies, totalizando 53% das áreas em condições boas a excelentes. No entanto, o total ficou 9% a menos que a média dos últimos cinco anos neste mesmo período.

O desenvolvimento da safra continua progredindo em um ritmo normal, apesar de um início mais frio na primavera. Ainda no relatório de progresso de grãos, o USDA disse que 4% da safra de trigo de inverno do país havia emergido, um aumento de 1% em relação ao ano anterior e também em relação à média de cinco anos.

O USDA também revelou que o plantio de trigo na primavera começou no noroeste do Pacífico e nas planícies do norte na semana passada, com 3% da área plantada até o último domingo (04). O total está em linha com o progresso do ano passado neste mesmo período, embora os solos mais secos nas Dakotas tenham dado aos produtores de trigo da primavera na região um salto no ritmo de plantio do ano passado.

No decorrer da semana os traders estiveram focados na atualização do relatório WASDE em sua versão de abril que foi divulgado nesta sexta (09), fator este que ajudou a empurrar os preços do trigo para cima, após alguns dias de desvalorização acumulada na CBOT.

Antes disso, ontem (08), o Departamento atualizou os dados sobre as vendas líquidas e exportações dos EUA, informando que entre os dias 26 de março a 01 de abril, a comercialização do trigo dos EUA totalizou 82,0 mil tons da safra 2020/21 com recuo de 67% em uma semana e 75% a menos que a média de quatro semanas. Já as vendas da safra 2021/22 ficaram em 529,9 mil tons.

As exportações de trigo ficaram em 634,2 com aumento significativo em comparação com a semana passada e 23%  acima da média de quatro semanas. Os principais destinos foram: China (200,3 mil tons), México (129,1 mil tons) e Coreia do Sul (123,4 mil tons).

Finalmente, hoje (09), o USDA divulgou o tão esperado relatório de oferta e demanda mundial de grãos em sua versão de abril. De acordo com os novos dados da entidade, a produção mundial de trigo em 2020/21 deve ficar em 776,49 milhões de toneladas, com queda de 0,04% em comparação ao relatório de março.

O USDA também modificou os dados de vendas e exportações globais, que subiram 0,62% – o que, portanto, elevou a demanda mundial do grão para 781,01 milhões de toneladas (+0,66%). Sendo assim os estoques finais de trigo ficaram em 295,52 milhões de tons, com redução de 1,88% em comparação ao relatório anterior.

Para o Brasil, um dos maiores importadores de trigo do mundo, o USDA manteve os dados de estoque inicial, produção e consumo doméstico, mas aumentou para 950 mil toneladas o volume destinado à exportação. Sendo assim, os estoques finais tiveram queda de 6,33% no WASDE de abril, totalizando 740 mil toneladas de trigo.

O mercado de modo geral, agiu positivo aos dados declarados e com isso, os contratos futuros do trigo tiveram um salto na Bolsa de Chicago.

As entregas de mai/21 a mar/22 do trigo hard saltaram entre 3,52% a 3,72% em uma semana. Enquanto que o trigo soft subiu entre 3,96% a 4,75% nos mesmos vencimentos.

Fonte: AF News

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