A cotação do trigo doméstico continua indicando preços em alta, sem o menor sinal de recuo, o que preocupa os compradores
Mesmo com a matéria-prima bastante valorizada, os produtores se encontram bem capitalizados e permanecem sem interesse em vender seus acervos. Sendo assim, as pedidas pelo lote do grão estão cada vez maiores e os moinhos de trigo, que já estão fazendo apenas aquisições pontuais, estudam se distanciar ainda mais do mercado.
O plantio do trigo segue avançando no Estado do Paraná. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), até a última segunda-feira (12), 456 hectares da cultura já haviam sido semeados, contra os 330 hectares que foram registrados na semana anterior. As regiões de Cascavel e de Cornélio Procópio foram as primeiras a começar o plantio da nova safra.
Do total de trigo que já se encontra no campo, todos estão em processo de germinação e se apresentam em excelentes qualificações. Ao todo, o estado planeja cultivar 1,142 milhões de hectares do cereal neste próximo ciclo.
Com o foco no preparo do solo e plantio do trigo, os produtores se encontram ainda mais distantes das vendas e essa restrição na oferta do cereal tem influenciado por pedidas no lote do trigo ainda maiores. De acordo com os moinhos de trigo da região de Cascavel, a oferta de trigo está chegando até R$ 1650 (FOB) e está difícil de achar trigo por menos de R$ 1600. “Não estamos recebendo trigo por menos de R$ 1620/ton dentro do moinho”, disse o entrevistado à AF News.
Com este impasse na alta dos preços, o mercado do trigo continua travado, já que as vendas das farinhas está passando por um período crítico de baixa demanda.
Com essa falta de reação no setor dos derivados de trigo, fica difícil repassar o aumento da matéria-prima e a saída por enquanto, continua trabalhar com a moagem reduzida, priorizando manter os estoques de trigo em níveis seguros e sem necessidade de grandes reposições.
Alguns moinhos já estão estudando inclusive, se distanciar das compras de trigo por um período, para ver se o produtor se torna um pouco mais flexível e recua nos preços da matéria-prima para facilitar a aquisição do grão.
A expectativa desse cenário acontecer, na visão do mercado, é somente na chegada da colheita da próxima safra, em meados de setembro, uma vez que o plantio do trigo no Brasil será maior este ano, depois de alguns produtores terem migrado do milho safrinha que seria plantado fora da janela ideal, para cultivar o trigo, que também está com boa remuneração.
Alguns agricultores que deveriam cultivar aveia neste inverno, também mudaram a escolha da cultura este ano para o plantio do trigo, influenciados pelos preços mais atrativos.
Com isso, é possível que a oferta aquecida no período de colheita da safra 2021 que deve ser de um volume maior que o ano passado, acabe pressionando os índices que andam bastante valorizados, mas tudo depende de uma soma de fatores internos, atrelados ainda à cotação do dólar. Até lá, o mercado apenas se enche de esperança de uma possível redução nos preços, que infelizmente não deve acontecer tão cedo.
Fonte: AF News




