A onda de frio que está atuando sobre as áreas agrícolas dos EUA influenciou em uma alta generalizada nos preços da soja, milho e trigo negociados na Bolsa de Chicago durante a semana
Trigo Brasil
A cotação do trigo finalizou mais uma semana com aumentos no Brasil, fundamentados pela restrição da oferta do cereal nacional, alto custo para aquisição do grão importado e vendedores focados na alta do trigo no mercado externo.
No Paraná, o preço do trigo fechou esta sexta-feira (23) valendo R$ 89,62/saca (60 Kg FOB paga ao produtor) com valorização semanal de 2,25%.
Em Santa Catarina, os índices aumentaram 1,12% com custo de R$ 84,02/saca.
Já no Rio Grande do Sul, os ganhos foram menores, com avanço de 0,68% a R$ 80,06/saca.
Os negócios seguem travados entre compradores e vendedores, já que os produtores que ainda possuem trigo em estoque, estão segurando o cereal com a expectativa que os preços subam ainda mais.
De acordo com os moinhos entrevistados pela AF News no decorrer da semana, a pedida do lote do trigo está na faixa de R$ 1450/1550 (ton/FOB) no Rio Grande do Sul e entre R$ 1550/1600 (ton/FOB) no Paraná. O preço CIF, porém, já chega a ficar na faixa de R$ 1700/ton na região de Cascavel, conforme relato de um moinho da região.
Sendo assim, por conta da desvalorização do dólar esta semana, a entrada do trigo paraguaio e da Argentina pelo Rio Grande do Sul, passou a ser uma opção mais barata de compra frente ao trigo nacional. Alguns moinhos estiveram atentos a esta opção, que se tornou mais vantajosa do que a aquisição do trigo doméstico que se encontra escasso de ofertas.
Com relação a nova safra, de acordo com o boletim semanal do Deral, o Paraná ainda segue com menos de 1% das áreas de trigo plantadas no Estado. Apenas as regiões de Cascavel, Cornélio Procópio, Jacarezinho e Maringá, é que começaram a realizar as tarefas de plantio, todas as áreas somadas chegam a 2.215 hectares semeados, dos 1.142 milhão de hectares previstos para o cultivo na safra 2021.
Do trigo que se encontra no campo, 85% está em germinação e 15% se encontra em desenvolvimento vegetativo.
Segundo o Departamento, a baixa disponibilidade hídrica do solo está causando o atraso no plantio do trigo, além do risco de acarretar problemas no desenvolvimento do cereal que já se encontra no campo. Porém, o agrônomo do Deral, Hugo Carlos Godinho, ressalta que no momento, essa seca gera apenas uma preocupação leve em relação à implantação mais antecipada, que facilitaria futuros trabalhos de colheita.
No Rio Grande do Sul, em boletim divulgado nesta quinta-feira (22) pela Emater/RS, a entidade salientou que na Regional de Santa Rosa, além do encaminhamento de projetos de custeio e a aquisição de sementes de trigo, observou-se o trabalho da correção da fertilidade e acidez do solo, com aplicação de calcários e corretivos, antes do início do plantio das culturas de inverno.
Ainda segundo o conjuntural, a Emater relatou que os custos de produção estão elevados, principalmente em função do preço da semente e da adubação, que sofreram consideráveis aumentos. Por um lado, os produtores consideram positivo o fato de o trigo apresentar preço elevado, o que poderá favorecer a expansão da cultura. Por outro, ainda estão pesando custos e riscos da implantação das lavouras.
Trigo Argentina
Nos últimos dias os preços do trigo da Argentina dispararam seguindo a movimentação de alta notada no mercado externo.
O país que vinha de um período de baixo volume de vendas de trigo e farinha por conta da diminuição da demanda pelos derivados de trigo desde o começo do ano, teve uma reação positiva do mercado com o aumento da procura.
A recuperação no volume da moagem de trigo argentino no mês de março, assim como a baixa umidade no solo nas lavouras de trigo nos EUA, trouxeram um maior número de compradores em atividade no mercado, o que fortaleceu os indicadores do país vizinho.
Não apenas as vendas de trigo da safra 2020/21 aumentaram, como também a comercialização do cereal da safra 2021/22 – que já está com mais de 2 milhões de toneladas vendidas até o momento, um recorde para esta época do ano.
Na quarta-feira (21), a Bolsa de Grãos de Buenos Aires relatou que espera que os agricultores argentinos plantem 6,5 milhões de hectares de trigo na temporada 2021/22, mantendo o plantio estável com relação a safra passada. A temporada de plantio começa em maio.
No comparativo semanal, o preço do trigo da Argentina no mercado físico, encerra a sexta-feira (23) valendo US$ 273/ton com alta de 4,20% ante os US$ 262/ton praticadas na semana passada.
Na Bolsa de Rosário, os contratos futuros entre mai/21 a jul/21 subiram de 2,71% a 3,85% em uma semana.
Já na Bolsa de Cereales, as ofertas de trigo tiveram aumentos de 1,15% a 2,75% para os vencimentos de abr/21 a nov/21.
Trigo Mercado Externo
A baixa umidade do solo que vem sendo presenciada nas áreas agrícolas dos EUA há alguns dias, preocupando os produtores, foi acrescida de uma frente fria no país desde a semana passada, que já está impactando no desenvolvimento e produtividade do trigo norte-americano.
Com isso, desde segunda-feira (21) a Bolsa de Chicago operou com uma escalada de preços nas commodities agrícolas, que em uma semana atingiu uma alta de 10,38% nos contratos de mai/21 do trigo hard e 9,20% nos vencimentos de mai/21 do trigo soft (fechamento desta sexta 23).
No começo da semana, as baixas temperaturas nas lavouras e o aumento das inspeções semanais do trigo norte-americano já haviam sustentado a valorização dos indicadores.
Segundo o USDA, as inspeções de exportação de trigo entre os dias 09 a 15 de abril, registraram aumento de 33% em uma semana, após atingir 613,59 mil toneladas, resultado que estava acima de toda a gama de estimativas comerciais, que ficaram entre 250 e 550 mil toneladas. Os totais acumulados para o ano 2020/21 atualmente possuem uma pequena vantagem sobre o ritmo do ano passado, 22,022 milhões de toneladas.
Além disso, o Departamento de Agricultura dos EUA também divulgou dados sobre o progresso das lavouras de trigo, mencionando que fisiologicamente, 10% da safra de trigo de inverno de 2020/21 está emergida, representando aumento de 5% na comparação semanal, mas abaixo da média dos últimos cinco anos de 14%.
Já o plantio do trigo de primavera chegou a 19% até o último domingo (18), com avanço de 12% comparado a igual período do ano anterior, com 5% de avanço ante a média das últimas cinco safras e 2% mais adiantado do que esperavam os analistas.
No decorrer da semana, as condições climáticas de frio nos EUA continuaram balizando os preços do trigo na Bolsa de Chicago, somados também ao aumento da demanda chinesa por trigo com destino à alimentação animal e humana. Nem mesmo a queda nas vendas líquidas de trigo nos dias 09 a 15 de abril, foi capaz de depreciar o preço do grão, que continuou acumulando ganhos.
De acordo com o USDA, as vendas líquidas para o período mencionado acima para a safra 2020/21 ficaram em 240,2 mil toneladas, expressivamente abaixo do volume registrado na semana anterior e 55% a menos que a média de quatro semanas.
As exportações de trigo totalizaram 561,0 mil toneladas com aumento de 20% em uma semana e 11% a mais que a média de quatro semanas. Os principais destinos foram Filipinas (131,0 mil tons), Tailândia (108,8) e China (66,0 mil tons).
Ainda nessa semana, a consultoria russa IKAR reduziu suas expectativas para a safra de trigo de 2021 do país em cerca de 1,5 milhão de toneladas, para uma produção total de 79,5 milhões de toneladas. Algumas áreas enfrentam problemas de replantio após o clima adverso neste inverno. A Rússia é o maior exportador de trigo do mundo.
O escritório agrícola francês FranceAgriMer relatou que 85% das áreas de trigo soft do país para a safra 2021/22 está em condições boas a excelentes até 19 de abril, caindo dois pontos abaixo da semana anterior, devido ao extenso clima frio e seco. As avaliações de qualidade da cevada francesa também caíram dois pontos na semana, com 81% da safra em condições boas a excelentes.
Para semana que vem, os traders esperam que as qualificações do trigo norte-americano tenham uma queda, especialmente porque o clima seco e frio tem sido severo para o desenvolvimento da cultura. Com isso, até o final do mês de abril, é bem provável que este tema seja o principal balizador de mercado.
Fonte: AF News




