A cotação do trigo finalizou em alta por mais um mês no Brasil, com os vendedores distantes do mercado, já focados no plantio do trigo novo
Trigo Brasil
O preço do trigo terminou com alta de 7,84% na variação mensal do Estado do Paraná, com a média da saca de 60 kg do grão paga ao produtor FOB ficando acima dos R$ 90 no fechamento do mês.
O estado que iniciou o plantio do trigo na virada do mês, enfrenta atualmente a sua pior seca em trinta anos para o mês de abril, o que tem influenciado negativamente na continuidade da semeadura nos campos.
De acordo com os agentes entrevistados pela AF News, as primeiras regiões a plantarem trigo neste ano, arriscaram de fazer o plantio “no seco”, mas já estão apontando preocupação por conta da baixa umidade do solo, que pode comprometer o desenvolvimento do cereal.
Por outro lado, com a boa remuneração do grão, os produtores que ainda estão na fase de planejamento, estão animados em relação a safra e esperam grandes produtividades se o clima colaborar.
Em abril, o avanço do plantio do trigo foi bastante lento do Paraná, principal produtor do cereal no país e primeiro a dar início no cultivo, chegando a apenas 5% até o dia 26 de abril, o que representa 53,26 mil hectares dos 1,158 milhão de hectares que foram planejados para serem semeados neste ano. Comparado a igual período do ano anterior, o atraso é de 2%.
A região com maior avanço foi a de Cornélio Procópio, que plantou 40% das áreas neste último mês. Em seguida vem Cascavel, Londrina, Maringá e Francisco Beltrão.
Diante deste cenário de incertezas e de alta do trigo no mercado externo, os vendedores que ainda possuem o cereal da safra velha em seus acervos, continuaram exigindo pedidas cada vez maiores, o que levou o preço do trigo a patamares bastante elevados.
A pedida do trigo no Paraná chegou ao final de abril na faixa de R$ 1650 a R$ 1700/ton entregue às cooperativas e cerealistas, enquanto que no Rio Grande do Sul, os agentes reportaram valores na casa de R$ 1570 a 1620/ton.
As vendas do trigo futuro já começaram a ser sinalizadas no Rio Grande do Sul, mas somente de forma pontual, começando na faixa de R$ 1300/ton entregue no Porto. Algumas vendas feitas a moinhos já foram declaradas na faixa de R$ 1200 e R$ 1250/ton (FOB). Para entrega em outubro, alguns negócios foram fechados a R$ 1350/ton (FOB).
De acordo com a Emater-RS, os produtores de trigo gaúcho estão concentrados na aquisição de insumos e sementes e o encaminhamento de custeios de lavouras estão em ritmo acelerado, principalmente os projetos técnicos para garantir recursos para a safra.
Algumas regiões já começaram as atividades no campo, trabalhando com a correção da fertilidade e acidez do solo, aplicação de calcários e corretivos, antes de dar início ao plantio das culturas de inverno.
Com os produtores concentrados no campo, a comercialização do trigo nacional se mostrou com baixo volume e liquidez neste último mês, especialmente porque alguns moinhos de trigo ainda estão operando com sua capacidade reduzida em função do recuo da demanda de farinha.
A crise econômica no Brasil, causada pela pandemia da Covid-19, acabou reduzindo o poder de compra do brasileiro, reduzindo o consumo de uma série de produtos a base de farinha de trigo. Além disso, as medidas restritivas de isolamento social, impactaram mais ainda a procura dos derivados, por conta da menor atividade dos bares e restaurantes, importante segmento consumidor.
Por outro lado, com a alta no preço do milho, o mercado do trigo se encontra bastante otimista, pois o cereal pode virar substituto na composição da alimentação animal, sendo usado no lugar do milho.
Isso poderia abrir uma competição compradora entre o setor de ração versus os moinhos de trigo, que podem disputar o trigo nacional que será colhido na próxima safra.
Para o próximo mês, o mercado ainda não apresenta reações claras de melhora na demanda da farinha de trigo e deste modo, é provável que por conta do período da entressafra, os negócios continuem lentos para o trigo doméstico. No entanto, uma movimentação nas ofertas para o trigo da nova safra possa começar a surgir com mais força, o que tornará o mercado mais aquecido.
Trigo Argentina
A alta no preço do trigo dos EUA por conta da onda de frio e seca que está atrapalhando o desenvolvimento no cereal nos campos, acabou auxiliando na valorização do trigo argentino que passou por várias semanas consecutivas de depreciação nos preços.
A melhora no volume de moagem da farinha de trigo do país vizinho no mês de março e as incertezas perante a oferta mundial do grão, deram um motivo a mais para os agentes voltarem as compras.
O aumento nas vendas foi notado tanto para o trigo da safra 2020, como para os contratos futuros da temporada 2021/22. Isso fez com que os indicadores tivessem uma elevação significativa durante o mês.
Porém, em virtude das últimas intervenções do governo para um teto máximo de preços no trigo, os produtores ainda estão comedidos no sentido de aumentar as áreas cultiváveis do cereal para o próximo ciclo.
Segundo a Bolsa de Rosário, as previsões para o cultivo de trigo em 2021, deverá ficar numa extensão de área aproximada ao que foi o ano passado, em 6,5 milhões de toneladas.
Já para o USDA, em previsão realizada no dia 23 de abril, um adido estimou que a área plantada de trigo na Argentina pode ficar em 6,65 milhões de hectares, podendo chegar a uma produção de 20,5 milhões de tons, o que seria recorde para o país, caso as condições climáticas colaborassem.
O USDA ainda previu que as exportações de trigo da Argentina em 2021/22 estão previstas para atingir 13,9 milhões de toneladas (incluindo farinha de trigo), superando o anterior de 2016/17, em resposta à produção recorde e diante de um aumento moderado no mercado doméstico.
No término do mês, a BCR encerra com ganhos de até 5,88% no vencimentos futuros de mai/21 a jul/21, enquanto que a Bolsa de Cereales, registrou valorização mensal de 1,91% a 6,05% nos prazos de entrega de mai/21 a nov/21.
Trigo Mercado Externo
Durante o mês de abril os traders estiveram atentos ao desenvolvimento das lavouras de trigo nos EUA, que passaram por um período de seca e frio durante boa parte das últimas semanas.
No último relatório de oferta e demanda mundial de grãos do USDA, divulgado na segunda semana de mês, o Departamento informou uma redução de 1,88% nos estoques finais do cereal para 295,52 milhões de tons na safra 2020/21.
No entanto, o órgão não modificou os volumes de produção de trigo dos EUA, que devem possivelmente serem reajustados no relatório WASDE em sua versão de maio.
O desenvolvimento do trigo de inverno chegou a 17% até o dia 25 de abril, contra 20% das áreas em igual período do ano anterior e 23% da média das últimas cinco safras.
Apenas 49% das áreas foram classificadas pelo USDA com boas a excelentes no último relatório de progresso, contra 53% que haviam sido avaliadas no começo do mês. Já 19% chegaram ao final do mês com qualificação ruim.
Por outro lado, se o clima seco não ajudou no desenvolvimento do trigo de inverno, contribuiu para progresso de plantio do trigo de primavera, que chegou a 28% no último domingo (25), ficando 15% mais adiantado que a safra passada e 9% mais adiantado que a média das últimas cinco safras.
Do total plantado, 7% já emergiram, com avanço de 3% em comparação com igual período da safra anterior.
No decorrer do mês, o aumento no preço do milho e soja, auxiliaram na valorização do trigo, que ganhos ventos adicionais dos fatores climáticos que ainda continuam sendo o principal balizador de preços no cenário atual.
Com o clima seco que continua predominando nos EUA, os preços seguiram apoiados. Além disso, a queda nas qualificações do trigo na França para 77% nesta última semana, ante os 81% da semana anterior, reacenderam as preocupações sobre a produtividade do cereal no principal país produtor da UE.
Sendo assim, os preços do trigo dos EUA finalizam o mês com um salto de 18,57% a 21,28% nos futuros de mai/21 a mar/22 para o trigo hard e incrementos de 16,92% a 20,11% para os mesmos vencimentos do trigo soft.
Fonte: AF News




