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Trigo Balanço Mensal Abr/21: preços em alta continuam sendo sustentados pela oferta restrita e valorização do grão importado



A cotação do trigo finalizou em alta por mais um mês no Brasil, com os vendedores distantes do mercado, já focados no plantio do trigo novo

Trigo Brasil

preço do trigo terminou com alta de 7,84% na variação mensal do Estado do Paraná, com a média da saca de 60 kg do grão paga ao produtor FOB ficando acima dos R$ 90 no fechamento do mês.

O estado que iniciou o plantio do trigo na virada do mês, enfrenta atualmente a sua pior seca em trinta anos para o mês de abril, o que tem influenciado negativamente na continuidade da semeadura nos campos.

De acordo com os agentes entrevistados pela AF News, as primeiras regiões a plantarem trigo neste ano, arriscaram de fazer o plantio “no seco”, mas já estão apontando preocupação por conta da baixa umidade do solo, que pode comprometer o desenvolvimento do cereal.

Por outro lado, com a boa remuneração do grão, os produtores que ainda estão na fase de planejamento, estão animados em relação a safra e esperam grandes produtividades se o clima colaborar.

Em abril, o avanço do plantio do trigo foi bastante lento do Paraná, principal produtor do cereal no país e primeiro a dar início no cultivo, chegando a apenas 5% até o dia 26 de abril, o que representa 53,26 mil hectares dos 1,158 milhão de hectares que foram planejados para serem semeados neste ano. Comparado a igual período do ano anterior, o atraso é de 2%.

A região com maior avanço foi a de Cornélio Procópio, que plantou 40% das áreas neste último mês. Em seguida vem Cascavel, Londrina, Maringá e Francisco Beltrão.

Diante deste cenário de incertezas e de alta do trigo no mercado externo, os vendedores que ainda possuem o cereal da safra velha em seus acervos, continuaram exigindo pedidas cada vez maiores, o que levou o preço do trigo a patamares bastante elevados.

A pedida do trigo no Paraná chegou ao final de abril na faixa de R$ 1650 a R$ 1700/ton entregue às cooperativas e cerealistas, enquanto que no Rio Grande do Sul, os agentes reportaram valores na casa de R$ 1570 a 1620/ton.

As vendas do trigo futuro já começaram a ser sinalizadas no Rio Grande do Sul, mas somente de forma pontual, começando na faixa de R$ 1300/ton entregue no Porto. Algumas vendas feitas a moinhos já foram declaradas na faixa de R$ 1200 e R$ 1250/ton (FOB). Para entrega em outubro, alguns negócios foram fechados a R$ 1350/ton (FOB).

De acordo com a Emater-RS, os produtores de trigo gaúcho estão concentrados na aquisição de insumos e sementes e o encaminhamento de custeios de lavouras estão em ritmo acelerado, principalmente os projetos técnicos para garantir recursos para a safra.

Algumas regiões já começaram as atividades no campo, trabalhando com a correção da fertilidade e acidez do solo, aplicação de calcários e corretivos, antes de dar início ao plantio das culturas de inverno.

Com os produtores concentrados no campo, a comercialização do trigo nacional se mostrou com baixo volume e liquidez neste último mês, especialmente porque alguns moinhos de trigo ainda estão operando com sua capacidade reduzida em função do recuo da demanda de farinha.

A crise econômica no Brasil, causada pela pandemia da Covid-19, acabou reduzindo o poder de compra do brasileiro, reduzindo o consumo de uma série de produtos a base de farinha de trigo. Além disso, as medidas restritivas de isolamento social, impactaram mais ainda a procura dos derivados, por conta da menor atividade dos bares e restaurantes, importante segmento consumidor.

Por outro lado, com a alta no preço do milho, o mercado do trigo se encontra bastante otimista, pois o cereal pode virar substituto na composição da alimentação animal, sendo usado no lugar do milho.

Isso poderia abrir uma competição compradora entre o setor de ração versus os moinhos de trigo, que podem disputar o trigo nacional que será colhido na próxima safra.

Para o próximo mês, o mercado ainda não apresenta reações claras de melhora na demanda da farinha de trigo e deste modo, é provável que por conta do período da entressafra, os negócios continuem lentos para o trigo doméstico. No entanto, uma movimentação nas ofertas para o trigo da nova safra possa começar a surgir com mais força, o que tornará o mercado mais aquecido.

Trigo Argentina

A alta no preço do trigo dos EUA por conta da onda de frio e seca que está atrapalhando o desenvolvimento no cereal nos campos, acabou auxiliando na valorização do trigo argentino que passou por várias semanas consecutivas de depreciação nos preços.

A melhora no volume de moagem da farinha de trigo do país vizinho no mês de março e as incertezas perante a oferta mundial do grão, deram um motivo a mais para os agentes voltarem as compras.

O aumento nas vendas foi notado tanto para o trigo da safra 2020, como para os contratos futuros da temporada 2021/22. Isso fez com que os indicadores tivessem uma elevação significativa durante o mês.

Porém, em virtude das últimas intervenções do governo para um teto máximo de preços no trigo, os produtores ainda estão comedidos no sentido de aumentar as áreas cultiváveis do cereal para o próximo ciclo.

Segundo a Bolsa de Rosário, as previsões para o cultivo de trigo em 2021, deverá ficar numa extensão de área aproximada ao que foi o ano passado, em 6,5 milhões de toneladas.

Já para o USDA, em previsão realizada no dia 23 de abril, um adido estimou que a área plantada de trigo na Argentina pode ficar em 6,65 milhões de hectares, podendo chegar a uma produção de 20,5 milhões de tons, o que seria recorde para o país, caso as condições climáticas colaborassem.

O USDA ainda previu que as exportações de trigo da Argentina em 2021/22 estão previstas para atingir 13,9 milhões de toneladas (incluindo farinha de trigo), superando o anterior de 2016/17, em resposta à produção recorde e diante de um aumento moderado no mercado doméstico.

No término do mês, a BCR encerra com ganhos de até 5,88% no vencimentos futuros de mai/21 a jul/21, enquanto que a Bolsa de Cereales, registrou valorização mensal de 1,91% a 6,05% nos prazos de entrega de mai/21 a nov/21.

Trigo Mercado Externo

Durante o mês de abril os traders estiveram atentos ao desenvolvimento das lavouras de trigo nos EUA, que passaram por um período de seca e frio durante boa parte das últimas semanas.

No último relatório de oferta e demanda mundial de grãos do USDA, divulgado na segunda semana de mês, o Departamento informou uma redução de 1,88% nos estoques finais do cereal para 295,52 milhões de tons na safra 2020/21.

No entanto, o órgão não modificou os volumes de produção de trigo dos EUA, que devem possivelmente serem reajustados no relatório WASDE em sua versão de maio.

O desenvolvimento do trigo de inverno chegou a 17% até o dia 25 de abril, contra 20% das áreas em igual período do ano anterior e 23% da média das últimas cinco safras.

Apenas 49% das áreas foram classificadas pelo USDA com boas a excelentes no último relatório de progresso, contra 53% que haviam sido avaliadas no começo do mês. Já 19% chegaram ao final do mês com qualificação ruim.

Por outro lado, se o clima seco não ajudou no desenvolvimento do trigo de inverno, contribuiu para progresso de plantio do trigo de primavera, que chegou a 28% no último domingo (25), ficando 15% mais adiantado que a safra passada e 9% mais adiantado que a média das últimas cinco safras.

Do total plantado, 7% já emergiram, com avanço de 3% em comparação com igual período da safra anterior.

No decorrer do mês, o aumento no preço do milho e soja, auxiliaram na valorização do trigo, que ganhos ventos adicionais dos fatores climáticos que ainda continuam sendo o principal balizador de preços no cenário atual.

Com o clima seco que continua predominando nos EUA, os preços seguiram apoiados. Além disso, a queda nas qualificações do trigo na França para 77% nesta última semana, ante os 81% da semana anterior, reacenderam as preocupações sobre a produtividade do cereal no principal país produtor da UE.

Sendo assim, os preços do trigo dos EUA finalizam o mês com um salto de 18,57% a 21,28% nos futuros de mai/21 a mar/22 para o trigo hard e incrementos de 16,92% a 20,11% para os mesmos vencimentos do trigo soft.

Fonte: AF News


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