Dólar eleva paridade e sustenta preço no Brasil – SINDITRIGO
UTF-8
Sistema FIRJAN

NOTÍCIAS

Dólar eleva paridade e sustenta preço no Brasil



Apesar de este ser um período de colheita e da chegada de uma possível safra recorde, os preços do trigo estiveram firmes no Brasil nos últimos dias. A sustentação veio especialmente do aumento da paridade de importação, devido à valorização do dólar frente ao Real, e da alta nos valores externos do cereal.

Tomando-se como base dados da Conab, de 11 a 15 de outubro, a paridade de importação do trigo com origem na Argentina estava em US$ 313,71/tonelada para o produto posto no Paraná. Considerando-se o dólar médio do período, de R$ 5,5026, o cereal importado era o equivalente a R$ 1.726,24/t, ao passo que o trigo brasileiro, no Paraná, teve média menor, de R$ 1.572,03/t, de acordo com dados do Cepea. No Rio Grande do Sul, a paridade do produto argentino seria de US$ 294,22/t, o equivalente a R$ 1.618,98/t em moeda nacional, contra R$ 1.464,73/t na média do estado coletada pelo Cepea.

Dados do Cepea mostram que, entre 15 e 22 de outubro, os preços pagos ao produtor registraram elevação de 1,36% no Rio Grande do Sul, de 0,85% em Santa Catarina e de 0,39% no Paraná. No mercado de lotes (negociações entre empresas), as cotações recuaram 1,24% em Santa Catarina e ligeiro 0,42% em São Paulo. Já no Rio Grande do Sul e no Paraná, houve valorização de 0,69% e de 0,07%, respectivamente.

Quanto ao câmbio, entre 15 e 22 de outubro, o dólar avançou 3,3% frente ao Real, para R$ 5,64 na sexta-feira, 22. Nos Estados Unidos, o contrato Dezembro/21 do Soft Red Winter da Bolsa de Chicago (CME Group) subiu 3% entre 15 e 22 de outubro, a US$ 7,5600/bushel (US$ 277,78/t) no dia 22.

Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Winter avançou 4,1%, a US$ 7,7400/bushel (US$ 284,40/t). A alta dos preços internacionais, por sua vez, foi influenciada pela expectativa de menor oferta global do cereal.
De 15 a 22 de outubro, as cotações FOB no porto de Buenos Aires recuaram 1%, fechando a US$ 298,00/tonelada na sexta-feira, conforme aponta o Ministério da Agroindústria da Argentina.

No geral, a liquidez segue baixa no Brasil, com as atenções voltadas à colheita, que tem sido interrompida por chuvas, sobretudo no Rio Grande do Sul. Além disso, alguns agentes estão preocupados com a baixa qualidade de parte do cereal colhido. Muitos produtores também estão afastados do mercado, na expectava de preços maiores, fundamentados na valorização do dólar.

IMPORTAÇÕES – Segundo a Secex, até a terceira semana de outubro, as importações de trigo tiveram média diária de 25,54 mil toneladas, contra 25,42 mil toneladas no mesmo mês de 2020, elevação de apenas 0,47%. Os preços de importação registram média de US$ 273,6/t FOB origem, 19,97% acima dos verificados no mesmo período de 2020 (US$ 228,1/t).

CAMPO – A Emater/RS sinalizou que, até 21 de outubro, a colheita no Rio Grande do Sul havia alcançado 9% da área, avanço de 4% na semana, mas com as atividades sendo limitadas por precipitações e, em alguns casos, por ventos e granizo. No mesmo período da temporada passada, a colheita já estava em 34% da área. Em relação ao desenvolvimento, 51% estão em maturação; 35%, em enchimento de grãos; e 5%, em floração.

Apesar de as atividades de campo terem sido prejudicadas por chuvas nas últimas semanas, até o dia 18 de outubro, o relatório da Seab/Deral indica que 74% da área do Paraná havia sido colhida, sendo que, das lavouras no campo,
74% estavam em maturação; 25%, em frutificação; e 1%, em floração.

Algumas lavouras apresentam acamamento e menor peso dos grãos, visto que foram atingidas por ventos e precipitações, o que deve reduzir a produtividade.
Em contrapartida, em Santa Catarina, segundo Epagri/Cepa, as estimativas para a safra 2021/22 foram novamente revisadas positivamente, com aumento da área destinada ao cereal no estado, alta de 74% em comparação à safra
anterior, e produtividade 16% superior ao mesmo período, atingindo 3.419 kg/ha. Assim, a estimativa da produção também teve alteração positiva em comparação ao relatório de setembro, agora indicada em 348 mil toneladas, a maior produção do estado na última década, volume expressivamente maior (102%) que o da temporada 2020/21, que foi de 172 mil toneladas.

Quanto à Argentina, segundo informações divulgadas pela Bolsa de Cereales, até 20 de outubro, a colheita de trigo havia alcançado 3% da área no País. Em relação às condições das lavouras, 44% estão excelentes/boas; 31%, normais; e 25%, em situação ruim.

Nos Estados Unidos, o USDA indicou que a semeadura do trigo de inverno havia atingido 70% da área até o dia 17 de outubro, abaixo do mesmo período da temporada anterior (76%) e também da média dos últimos cinco anos
(71%).

DERIVADOS – Quando comparadas as médias da semana passada (de 15 a 22 de outubro) e da anterior, os farelos seguiram em desvalorização, de 1,31% para o produto a granel e de 0,72% para o ensacado. As quedas estão atreladas à baixa demanda e à maior oferta.

No caso das farinhas, a maioria apresenta estabilidade nos preços. Quando comparadas as médias da semana passada com as da anterior, as farinhas para massas em geral, bolacha doce e massas frescas apresentaram quedas, de 0,76%, 0,45% e 0,13%, nesta ordem.

Fonte: CEPEA/ESALQ

Compartilhe: