Desde o início de maio os moinhos de trigo acompanhados pela AF News têm relatado aquecimento na demanda por farinha em diversas localidades, porém, o tão esperado reajuste nas tabelas ainda não aconteceu da forma que deveria, porque alguns concorrentes ainda insistem em manter os preços antigos visando a comercialização em maiores volumes. Isso tem tornado a concorrência difícil para os vendedores que precisam desse reajuste nos preços por conta do aumento nos custos
A cotação do trigo continua em elevados patamares no Brasil e mercado externo, mesmo depois de uma desaceleração no aumento dos preços do trigo nos EUA na semana passada. Porém, como no Brasil a oferta pelo cereal se encontra bastante restrita, os preços se mantiveram estáveis, sendo praticados entre R$ 1600/1700 (FOB) no Paraná e entre R$ 1550/1600 (FOB) no Rio Grande do Sul.
Com isso, a cotação dos derivados de trigo ainda necessita de novos repasses nas tabelas, principalmente neste período de entressafra onde a obtenção do trigo costuma se elevar ainda mais. Porém, mesmo com uma sinalização de melhora na demanda por farinha desde o início do mês de maio, os moinhos acompanhados pela AF News, relatam dificuldade na manutenção de preços por conta do excesso de concorrência.
Segundo alguns entrevistados, uma fatia do mercado da farinha de trigo ainda possui estoques de matéria-prima da safra velha comprado a custos menores e que precisam fazer caixa mais rapidamente, não estão considerando o ajuste nos preços e ainda continuam praticando valores defasados. Logo, os compradores migram para estes concorrentes, o que, portanto, impede os moinhos que tem necessidade de aumentos, a realizarem modificações em suas tabelas.
Um agente vê esperança que com os meses mais secos, a procura pelo farelo de trigo aumente e que isso compense a falta de repasse que está sendo sentida no segmento da farinha. Mas ainda assim, diz que para a atividade seguir de forma saudável os repasses precisam ser feitos, mesmo com o risco de novo distanciamento dos compradores, pois não existe meio de vender farinha barato com o trigo custando valores altíssimos.
O que dificulta essa mudança na cotação da farinha, também é a estabilidade que se encontra os preços do trigo nos últimos dias. No mês atual, diante da desvalorização do dólar frente ao real em comparação aos meses anteriores, os preços do trigo ainda estão se mantendo, mas os aumentos desaceleraram, o que dificulta os argumentos utilizados pelo setor da farinha para fazerem os repasses sem muitas reclamações dos consumidores.
Ainda assim, o cenário é de otimismo para os moinhos, que já sentiram aumento na capacidade de moagem nos últimos dias, assim como a entrada de mais pedidos para a compra de farinha, já que nos últimos meses a demanda realmente se tornou um fator de preocupação constante para o setor, que vinha sofrendo com o baixo volume de comercialização.
FUNDAMENTOS DE FORMAÇÃO DE PREÇOS
– Dólar em ALTA na semana de 10/05 a 17/05 fechando com +0,64% passando de R$ 5,232/US$ para R$ 5,266/US$.
– Farelo de Trigo: frio e seca colaboram para aumento da procura por farelo na região Sul. Próximo balanço AF News de Farelo de Trigo será divulgado no dia 20/05 (quinta-feira).
– No mercado de lotes no trigo do Estado do Paraná estabilidade nos preços, com negócios entre R$ 1600-1700/ton FOB. No Rio Grande do Sul, preços na média de R$1550-1600/ton FOB.
– Preço de importação do trigo argentino 12,0% de proteína safra atual (mai/21) cotado estável com variação de 0,16% na semana, agora a R$ 1.695/ton posto em Santos-SP (trigo + frete marítimo + descarga + seguro) considerando o dólar médio da semana em R$ 5,27. Na referência do trigo americano (hard) embarque em mai/21 em queda, cotado na média de R$ 2.024/ton (-6,10% na semana).
– A Agência Marítima NABSA divulgou o Line Up de exportação de trigo dos próximos dias. Entre os dias 12 a 27 de maio, estão programados o envio de 549,5 mil toneladas de trigo para o exterior com aumento de 12,91% em comparação com o volume programado na semana anterior. Destas 162,5 mil tons tem destino ao Brasil com queda de 33% em uma semana. O volume destinado vai para Bunge (54,5 mil tons), OMHSA e Adm Agro(30,0 mil tons).
Fonte: AF News




