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Produtores se atentam à safra verão; volume exportado é alto



Com produtores focados na colheita da safra verão e agentes de moinhos se mostrando abastecidos – pelo menos até março –, as negociações envolvendo trigo ocorreram apenas de forma pontual no spot brasileiro. As vendas externas do cereal, por sua vez, estão aquecidas, atingindo volumes elevados para o mês.

Segundo a Secex, até a segunda semana deste mês, foram exportadas 221,59 mil toneladas. Esse volume já está 82,6% superior ao de toda a quantidade embarcada em fevereiro do ano passado (121,33 mil toneladas).

Já as importações de trigo, na parcial deste mês, somam 214,04 mil toneladas, contra 449,90 mil toneladas em fevereiro de 2021, redução de 52,4%. Os preços de importação registram média de US$ 280,7/t FOB origem, 12,8% acima dos verificados no mesmo período de 2021 (US$ 248,8/t).

Destaca-se que o mercado segue atento ao possível conflito na região do Mar Negro, entre Rússia e Ucrânia, dois países relevantes na produção e na exportação de trigo.

MERCADO INTERNO – As cotações do trigo vêm registrando movimentos distintos dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea. O movimento de alta é influenciado pelas tensões entre a Rússia e a Ucrânia e pelas consequentes elevações no mercado internacional. Por outro lado, as baixas são resultado da desvalorização do dólar frente ao Real, que tende a favorecer a importação do trigo argentino.

Dados do Cepea mostram que, entre 11 e 18 de fevereiro, os valores pagos ao produtor avançaram 0,55% no Paraná e 0,39% no Rio Grande do Sul, mas caíram 0,43% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociações entre empresas), as cotações subiram 0,63% em Santa Catarina e 0,21% no Paraná, mas recuaram 1,02% no Rio Grande do Sul e 0,21% em São Paulo. A moeda norte-americana cedeu 1,67% entre 11 e 18 de fevereiro, fechando a R$ 5,138 na sexta-feira, 18.

Tomando-se como base dados da Conab, de 07 a 11 de fevereiro, a paridade de importação do trigo com origem na Argentina estava em US$ 313,12/tonelada para o produto posto no Paraná. Considerando-se o dólar médio do período, de R$ 5,2481, o cereal importado era negociado a R$ 1.643,29/t, ao passo que o trigo brasileiro, no Paraná, teve média maior, de R$ 1.709,04/t, de acordo com dados do Cepea. No Rio Grande do Sul, a paridade do produto argentino seria de US$ 293,56/t, o equivalente a R$ 1.540,61/t em moeda nacional, contra R$ 1.613,64/t na média do estado coletada pelo Cepea.

MERCADO EXTERNO – De 11 a 18 de fevereiro, as cotações FOB no porto de Buenos Aires permaneceram estáveis, fechando a US$ 313,00/tonelada na sexta-feira, 18, conforme apontam dados do Ministério da Agroindústria da Argentina.

Nos Estados Unidos, o contrato Março/22 do Soft Red Winter da Bolsa de Chicago (CME Group) caiu 0,1% entre 11 e 18 de fevereiro, a US$ 7,9700/bushel (US$ 292,85/t) no dia 18. Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Winter subiu 1,3%, a US$ 8,3525/bushel (US$ 306,90/t). As cotações seguem impulsionadas pelas tensões de um possível conflito entre Rússia e Ucrânia, o que dificultaria a exportação do cereal da região.

De acordo com o USDA, até o dia 10 de fevereiro, as exportações norteamericanas de trigo (safra 2021/2022) somavam 14,48 milhões de toneladas, 17,1% inferior ao volume escoado no mesmo período do ano passado. Na semana do dia 10 de fevereiro, especificamente, foram exportadas 435,18 mil toneladas, quantidade 0,3% maior que na semana anterior (433,92 mil toneladas) e 2,4% acima da registrada em período equivalente de 2021 (de 425,04 mil toneladas). Os principais destinos do cereal dos EUA na semana foram Taiwan (67,94 mil t), Filipinas (62,93 mil t) e Tailândia (57,74 mil t).

DERIVADOS – A demanda por farelo de trigo segue elevada e os preços, em alta. Os reajustes positivos também são influenciados pela moagem reduzida. Quando comparadas as médias da semana passada (de 11 a 18 de
fevereiro) com as da anterior, as cotações dos farelos subiram 2,62% para o granel e 0,78% para o ensacado.

De acordo com informações de colaboradores do Cepea, a demanda de farinhas está baixa. Agentes alegam dificuldades no repasse de custos da matéria-prima ao consumidor final. Espera-se que a demanda melhore após
o carnaval. Assim, os valores das farinhas recuaram 1,1% no caso da panificação, 1,05% para massas frescas, 0,80% para pré-mistura, 0,78% para massas em geral e 0,32% para bolacha doce. Já os valores das farinhas bolacha salgada e massa integral aumentaram 1,76% e 0,49%, nesta ordem.

Fonte: CEPEA/ESALQ

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