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Trigo / Argentina: Compras internas da próxima campanha do trigo registram níveis recordes



Com mais de 2 milhões de toneladas, a comercialização de trigo para a próxima safra da Argentina está acelerada, em um quadro de preços locais muito bons

A comercialização interna da próxima safra de trigo da Argentina, que começa em dezembro deste ano, já registrou venda de cerca de 2,02 milhões de toneladas – Com o incentivo de preços e aproveitando as atuais condições de mercado, a partir de 21 de abril os níveis de compras internas já são recordes.

O início das compras foi observado em janeiro deste ano, quando foram registrados 640 mil tons, principalmente com preço feito, em um ano de forte estímulo de preços e incertezas no mercado de trigo. Do lado das vendas, já existem operações declaradas de exportação de trigo para a safra 2021/22 em 1,3 milhão de tons, a serem embarcadas entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022.

No que se refere às Declarações de Vendas Externas (DJVE) para a atual campanha 2020/21, no final da semana passada já eram cerca de 9,3 milhões de tons declarados. Nesta semana, foram adicionados cerca de 530 mil tons até 21/04, o que já estaria atingindo mais de 98% do saldo exportável coberto da safra atual.

A cevada é outra safra que também está indo bem, com embarques confirmados até o momento de 448 mil toneladas, ante 261 mil toneladas declaradas em 22 de abril do ano passado. Os embarques esperados até agora são principalmente de cevada forrageira.

Com o melhor março dos últimos cinco anos, moagem de trigo se recuperou

Após um baixo nível de moagem nos primeiros três meses da safra, os níveis de industrialização do trigo voltaram a subir em março. Conforme analisado na Carta Semanal nº 1.998 , é complexo pensar na queda da demanda, na utilização de estoques ou nas mudanças estruturais nos últimos meses como fatores determinantes na análise dessa situação conjuntural.

Se considerarmos apenas a moagem de trigo mole, aquela com maior consumo e maiores níveis de produção, o mês de março teve uma boa recuperação e atingiu no máximo 9 safras, com mais de meio milhão de toneladas. No entanto, o ritmo lento dos três primeiros meses da safra e o declínio da industrialização do trigo fazem com que a moagem acumulada seja ainda inferior à da safra passada.

Baixa umidade do solo nos Estados Unidos pressiona os preços para cima

Em relação aos preços internacionais dos cereais, na quinta-feira (22) a cotação do cereal em Chicago fechou a US$ 261/t, atingindo a máxima desde maio de 2014 e marcando um avanço de 30% em relação ao preço observado há um ano. O aumento foi impulsionado por dois determinantes fundamentais: a alta nos preços do milho, que dobrou em relação ao ano anterior, e o clima nos Estados Unidos. Esse aumento de preço também pode levar a uma maior utilização do trigo para consumo animal, sustentando a demanda.

Para citar um exemplo, a expectativa é de que na China, cerca de 40 milhões de tons de trigo sejam destinadas à alimentação animal, mais que o dobro do ciclo anterior. Isso se baseia no diferencial registrado nos preços internos do trigo e do milho no leste do país, que não só se sustentou, mas aumentou. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o diferencial de preços entre os dois cereais era de US$ 58,5/t em fevereiro, enquanto em março subia para US$ 72,3/t, acentuando essa tendência de uso de maior proporção de trigo como ração animal.

Com relação à questão climática, na última semana as temperaturas ficaram bem abaixo do normal em grande parte dos Estados Unidos, o que pode ter reflexos negativos na safra. Nesse sentido, e de acordo com o USDA, a emergência do trigo está atrasada tanto em relação ao ano anterior quanto na média dos últimos 5 anos. Além disso, a condição de safra boa e excelente ficou em 53% até 18/04 (vs. 57% na mesma data do ano passado).

Da mesma forma, a umidade no último metro de solo da Planície Americana, principal região produtora de trigo dos EUA, é mínima desde pelo menos 2017 para esta época do ano. A isto acrescenta-se que a previsão climática para a próxima semana indica que não haverá chuvas que ajudem a recarregar o perfil edáfico, o que pode agravar as consequências negativas no estado da cultura.

Fonte: AF News

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