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Trigo Balanço Mensal Agosto/21: cotações tiveram fortes aumentos no exterior com clima interferindo nos preços



O mês de agosto foi de intensa volatilidade nos preços do trigo no mercado externo, mas ainda assim as cotações fecharam com expressivos aumentos tanto nos EUA, como na Argentina, principal fornecedor de trigo ao Brasil. O clima quente e seco nas lavouras americanas afetou o potencial produtivo do trigo de primavera e outros países como Rússia, Canadá, além da União Europeia, também relataram queda na produção do cereal. Com isso, os preços tiveram suporte para se continuarem elevados. No Brasil, embora o dólar tenha recuado, as cotações conseguiram se manter positivas

Trigo Brasil

Agosto teve um tom de preocupação para os produtores de trigo do Paraná, que já começaram o mês avaliando os prejuízos nas lavouras causados pelas geadas do mês de julho. O cereal, que já vinha sofrendo em alguns locais por conta da falta de chuvas, passou por um período de queda nas temperaturas e o congelamento das plantas. Sendo assim, a produtividade de algumas glebas acabou sendo afetada, mas os órgãos competentes ainda não lançaram nenhuma estimativa oficial quanto a redução dos números.

Ainda assim, de acordo com o Departamento de Economia Rural do Paraná, o Deral, diversas áreas tiveram o seu desempenho no rendimento comprometido e as lavouras continuam com necessidade de chuvas, já que o solo está com poucas reservas de água, o que também atrasa o desenvolvimento das plantas, que deveriam começar a ser colhidas a partir de setembro, conforme ocorreu nos anos anteriores.

Segundo o último levantamento da safra, até o dia 30 de agosto, apenas 8% das áreas haviam chegado a fase de maturação, 47% seguiam em frutificação, 27% em floração e 18% estavam ainda em desenvolvimento vegetativo.

Nas condições de lavouras, 56% das áreas foram classificadas como boas a excelentes. Se observada a avaliação do dia 28 de julho, as lavouras qualificadas nestas condições eram de 90%, ou seja, em trinta dias, o trigo paranaense teve 34% de piora na qualidade.

Enquanto isso no Rio Grande do Sul, os produtores estiveram focados nos tratos culturais e acompanhamento das lavouras de trigo, demonstrando preocupação com déficit hídrico das lavouras. Na última semana do mês, de acordo com a analise da Emater-RS, entre 23 e 29/08 houve o retorno da chuva. Essas precipitações disponibilizaram acumulados que contribuíram para diminuir o déficit hídrico nas lavouras. A temperatura apresentou grande amplitude térmica e a radiação solar foi satisfatória. Em geral, os cultivos foram favorecidos pelo retorno da umidade do solo e da umidade relativa do ar.

Com relação as fases de desenvolvimento, o mês de agosto encerrou com 8% do trigo gaúcho chegando a fase de enchimento de grãos, com atraso de 8% em relação a mesma época da safra anterior, 27% em floração e 65% ainda em processo de desenvolvimento vegetativo.

Observando a movimentação do mercado, as vendas de trigo ocorreram de maneira cautelosa, com os moinhos ainda receosos em adquirir grandes lotes de trigo, dado o cenário de baixa demanda da farinha. Além disso, com o dólar recuando e a colheita da safra de trigo se aproximando, os compradores estão na esperança de que os preços possam recuar, facilitando assim as aquisições.

Por outro lado, os preços do trigo no exterior seguiram em alta e embora a paridade tenha recuado um pouco na última semana do mês em virtude da desvalorização do dólar, as cotações seguem em altos patamares, com valorização entre 4,23% a 15,16% na variação mensal dos principais países fornecedores de trigo ao Brasil.

Trigo Argentina

No país vizinho, a seca também estava afetando o desenvolvimento das lavouras que já haviam começado a dar sinais de estresse pela falta de água no solo. Porém, na última semana algumas chuvas foram registradas, melhorando em 10,5% as áreas agrícolas em condições hídricas consideradas adequadas, totalizando 58,9%. No entanto, as precipitações ocorreram principalmente na região centro-oeste, deixando outras áreas descobertas e piorando o status de baixa umidade.

Perante ao cenário, a Bolsa de Cereales reajustou suas estimativas sobre a produção de trigo safra 2021/22 do país, de 21 milhões de toneladas inicialmente aguardadas, para 19 milhões de tons no mês de agosto, numa área plantada de 6,5 milhões de hectares. Vale ressaltar que mesmo com uma redução significativa, a safra continua sendo uma das maiores em volume dos últimos anos, caso seja confirmada.

Com relação ao mercado, as negociações continuaram em bom ritmo no último mês, com os traders focados principalmente na compra de trigo da nova safra.

Os preços acompanharam a alta nas cotações do mercado externo e no mercado físico os índices subiram 3,61% na variação mensal, passando de US$ 277/ton (FOB) no dia 30 de julho, para US$ 287/ton no dia 31 de agosto.

Na Bolsa de Cereales, as variações ficaram entre 1,11% a 11,98% para as entregas nos meses de ago/21 a fev/22.

Trigo Mercado Externo

Agosto começou com os preços do trigo subindo na Bolsa de Chicago, perante as baixas qualificações do cereal de primavera do país e redução na produção. No entanto, isso foi mais uma recuperação dos preços, já que os índices haviam encerrado o mês de julho com uma forte queda.

O clima foi o principal fator a balizar os preços desde a primeira semana, com o Canada sinalizando quebra na safra de trigo por conta do calor e seca, enquanto a Rússia apresentava atrasos na colheita por conta do excesso de chuvas, que também acarretou perdas na qualidade e produtividade do grão.

Todo este cenário deu suporte aos índices que chegou ao seu topo de alta no mês na segunda quinzena, quando o USDA divulgou sua mais recente versão do relatório de oferta e demanda global de grãos.

De acordo o USDA, a produção global de trigo para 2020/21 foi ajustada para 1,073 bilhão de toneladas com queda de 0,15% em relação ao relatório anterior.

Houve alteração nos dados de demanda, resultando então num estoque final de trigo de 288,83 milhões de toneladas, uma redução de 0,47%.

Já para a safra 2021/22 cujos dados eram mais esperados, a redução na produção de trigo foi bem expressiva. O USDA espera que o volume da nova temporada de cultivo global de trigo fique em 1,065 bilhão de tons com uma queda de 1,56% em relação ao relatório de julho.

Essa nova previsão levou o Departamento a reduzir também os dados de vendas e exportações, assim como a demanda global doméstica para 786,67 milhões de tons. Deste modo os estoques finais globais de trigo ficaram em 279,06 milhões de toneladas, uma diminuição de 4,33%.

Para os EUA a queda na produção foi de 2,82% para atuais 46,18 milhões de toneladas na safra 2021/22. Na Rússia, a mudança foi ainda maior, de 14,71% com a safra caindo de 85 milhões para 72,5 milhões de toneladas. No Canadá, houve a queda de expressivos 23,81% na produção de trigo da temporada 2021/22 para 24 milhões de tons, contra 31 milhões previstos no relatório anterior.

Para o Brasil o USDA também realizou ajustes em suas projeções, diminuindo seus estoques da safra 2020/21 e aumentando as estimativas da produção da safra 2021/22 para 7,5 milhões de toneladas, incremento de 11% ante o relatório passado. Sendo assim, a necessidade de importação diminuiu para 6,5 milhões, mas houve aumento na demanda para 12,6 milhões de tons, logo, os estoques finais ficaram em 810 mil tons.

Como reflexo de todos esses rebaixamentos, diversas rodadas de compras técnicas foram observadas na Bolsa de Chicago até por volta do dia 13 de agosto. No entanto, com o encerramento de algumas posições para realização de lucros por parte dos acionistas, os preços do trigo sofreu algumas perdas. Somado a isso, um dólar mais forte e alguns dados mais amenos sobre as vendas e exportações de trigo dos EUA, também pressionaram os preços.

Ainda assim, na última semana do mês as cotações voltaram a subir com o Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) realizando cortes na produção global de trigo para a safra 2021/22. Em sua atualização mensal, o órgão intergovernamental reduziu a previsão da safra mundial de trigo de 2021/22 em 6 milhões de toneladas, para 782 milhões de toneladas.

A safra de trigo da Rússia, que foi reduzida pelo clima quente e seco neste verão, foi vista em 75 milhões de toneladas, abaixo da previsão anterior de 81 milhões de toneladas, mas acima da projeção do Departamento de Agricultura dos EUA deste mês de 72,5 milhões de toneladas.

A seca também reduziu a produção na América do Norte, e o IGC reduziu suas previsões de safra de trigo para o Canadá (de 28,5 milhões de toneladas para 24,5 milhões de toneladas) e os Estados Unidos (de 47,5 milhões de toneladas para 46,2 milhões de toneladas).

O impacto foi parcialmente compensado por revisões para cima na Ucrânia (de 29,5 milhões de toneladas para 32 milhões de toneladas) e Austrália (de 28,9 milhões de toneladas para 30,1 milhões de toneladas).

Diante de todas as incertezas sobre o abastecimento mundial de alimentos, que está sendo comprometido por uma série de eventos climáticos, os preços do trigo continuaram em elevados patamares e mais uma vez registraram aumentos. A variação mensal do trigo hard ficou entre 4,06% a 4,75% nas entregas de set/21 a jul/22. Enquanto que o trigo soft subiu 0,43% a 3,37% para os mesmos prazos de entrega.

Fonte: AF News

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