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Trigo Balanço Semanal: mesmo com dólar perdendo a força, cotações do trigo registram recordes nominais no Brasil



A cotação do trigo encerra este início de maio registrando novos aumentos no mercado brasileiro, mesmo depois de uma semana de forte queda no câmbio

Trigo Brasil

cotação do trigo finalizou com aumento de 1,69% na variação semanal do Rio Grande do Sul, passando de R$ 80,93/saca no último dia de abril para atuais R$ 82,30/saca nesta sexta-feira (07).

Em Santa Catarina, os indicadores subiram levemente (+0,23%) para R$ 86,00/saca paga ao produtor FOB e somente o Estado do Paraná é que sinalizou estabilidade com a saca custando R$ 90,47 nesta sexta – bem próximo dos R$ 90,61 que foram registrados na semana anterior.

Com a redução das pastagens provocada pela estiagem que está acometendo principalmente os estados do Sul do país, o mercado começou a aumentar a sua procura por trigo e farelo de trigo nesta última semana o que movimentou um pouco mais as vendas no spot.

Com isso a cotação do lote do trigo seguiu na faixa de R$ 1650/ton no Paraná (FOB) e operou com preço médio de R$ 1570/1580 no Rio Grande do Sul.

Além disso, a piora nas condições das lavouras de trigo já implantadas no Paraná, conforme dados atualizados na terça pelo Deral, alertaram ainda mais os produtores diante da situação de estrese hídrico que as lavouras se encontram.

No boletim semanal de acompanhamento de safra da entidade, das lavouras de trigo já instaladas que totalizam 6% das áreas previstas, 30% encontravam-se em boas condições, ante 92% na semana anterior, e outros 70% em situação regular, frente aos 8% de uma semana atrás. A maior parte das plantações, 98%, segue em germinação e 2%, em desenvolvimento vegetativo.

Ainda assim, espera-se que a safra 2021 de trigo do Paraná possa registrar uma produção de 3,799 milhões de toneladas, 22% acima das 3,123 milhões de toneladas colhidas na temporada 2020. A produtividade média é estimada em 3.281 quilos por hectare, acima dos 2.795 quilos por hectare registrados na temporada 2020.

Conforme levantamento do Deral, a extensão destinada ao cereal poderá alcançar 1,16 milhão de hectares, 3% superior à do ano anterior, quando se plantou 1,12 milhão. Além de superior à de 2020, o número é levemente acima ao do levantamento de março (era 1,14 mi), especialmente em função de revisões em áreas no Sudoeste e Centro-Oeste.

Nestas regiões esperava-se a substituição do trigo pelo milho em virtude dos melhores preços do último, porém observou-se uma intensificação do uso do solo, com manutenção das áreas de trigo e aumento da segunda safra de milho.

Vale ressaltar, porém, que quanto mais tardio o plantio, maior a possibilidade de sobreposição do ciclo do trigo com o início do plantio de soja, o que faz com que os agricultores estejam ansiosos para semear. No Norte Pioneiro, por exemplo, o plantio no pó teve um avanço importante nesta semana, fazendo o plantio no Estado chegar a 5% da área projetada. Caso haja a inviabilidade do plantio do trigo a partir das próximas semanas, os dados oficiais das áreas de trigo no Paraná podem ser revisados novamente.

No Rio Grande do Sul, o último boletim da Emater-RS divulgado ontem (06), reportou que muitos agricultores já estão se preparando para das início nas atividades pré-plantio do trigo.

Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, produtores aguardam condições climáticas ideais para a realização da dessecação pré-plantio da cultura, estocam insumos nas propriedades a fim de agilizar o início do plantio e os que optaram por adquirir semente sem tratamento o realizam com inseticidas e fungicidas nas propriedades. Aumenta a procura por sementes para ampliação da área estimada inicialmente, impulsionada pela elevação do preço pago ao produtor.

Na de Santa Rosa, agricultores pretendem dar início ao plantio desta safra de trigo nos próximos dias, se confirmada a expectativa de chuva, uma vez que o calendário oficial recomenda o plantio de 10 de maio a 10 de julho.

Na regional de Bagé, produtores estão definindo as áreas para plantio e reservando sementes. Na Campanha, ocorreu demanda por análises de solo, atendendo a exigências do seguro Proagro ou das seguradoras privadas. Em São Borja, na Fronteira Oeste, triticultores enfrentam preços altos e escassez de sementes.

Embora o mercado de trigo ainda esteja com uma retração dos vendedores que possuem pouca oferta do grão e almejam valores ainda maiores que os praticados por conta da alta do milho, os compradores ainda estão agindo com cautela, pois seus acervos de trigo ainda estão em equilibro nos moinhos devido a redução da capacidade de moagem da farinha.

Por outro lado, com a estiagem, já se notou um aumento na demanda por farelo, o que pode, portanto, movimentar o mercado dos derivados novamente a partir das próximas semanas. Porém, ainda é cedo para qualquer afirmação, já que a reação do mercado está ocorrendo de forma lenta e muitas vezes, qualquer alteração de preço nos derivados, já muda por completo o cenário.

Trigo Argentina

Nesta última semana, o Ministério de Agricultura e Pesca da Argentina já começou a divulgar dados semanais sobre as vendas de trigo para exportação e moinhos locais da safra 2021/22. Só no período de 21 a 28 de abril, as vendas da nova safra totalizaram 557,2 mil toneladas, o que representa aumento de 290% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

No acumulado do ano safra referente 2021/22, foram negociadas 2,593 milhões de toneladas de trigo, sendo que já foram declaradas como vendidas para exportação (DJVE) 1,890 milhão de tons.

Ainda de acordo com o MAgyp, o acumulado das negociações do ano safra 2020/21 até o dia 28 de abril totalizou 10,083 milhões de toneladas de trigo, sendo que já foram declaradas como vendidas para exportação (DJVE) 9,645 milhões de tons.

Segundo as previsões da Bolsa de Rosário, a Argentina deve alcançar uma produção de trigo na safra 2021/22 em 19 milhões de toneladas, o que seria igual ao seu melhor histórico em 2018/19.

Além da análise da BCR sobre a produção de trigo em 2021, a entidade também pontuou que os aumentos do preço internacional do trigo que estão nas maiores médias dos últimos 8 anos, continuam refletindo a valorização dos preços ofertados pelo milho que se encontram em patamares recordes.

Isso tem auxiliado nas cotações do trigo argentino, que vem apresentando indicadores em alta, o que auxilia os produtores na tomada de decisão quanto ao cultivo de trigo na próxima safra que já está se aproximando. Além disso, os bons percentuais de umidade incentiva ainda mais os produtores a aumentarem a área destinada à cultura.

Essa movimentação otimista acabou resultando em novos aumentos no preço do trigo argentino na semana, também associada a valorização externa do cereal. No spot o preço do trigo saiu de US$ 275/ton no dia 29 de abril e finalizou a US$ 282/ton nesta quinta-feira (06).

Na Matba e Bolsa de Rosário, as cotações também finalizaram positivas para os vencimentos entre mai/21 a set/21. Já na Bolsa de Cereales os indicadores tiveram variações mistas na semanas, mas principalmente em alta.

Trigo Mercado Externo

Os Estados Unidos começou a segunda-feira (03) com o USDA informando que as inspeções de exportação de trigo caíram 12% na semana encerrada em 29 de abril, para 509,93 mil toneladas. Os dados ficaram dentro das estimativas de comércio, que variaram entre 400 e 600 mil toneladas. A China liderou todos os destinos, adquirindo 166 mil tons. Os totais acumulados para o ano comercial de 2020/21 permaneceram ligeiramente acima do ritmo do ano passado por enquanto, com 23,128 milhões de toneladas.

Ainda no final da tarde de segunda, o Departamento também atualizou o progresso das lavouras de trigo norte-americano, revelando que as plantações do cereal de primavera atingiram 49% das áreas até o último domingo (02), com avanço de 19% em uma semana e 1% acima da estimativa média do comércio que era de 48%. O ritmo de plantio deste ano também está bem à frente do ritmo de 2020 de 27% e da média dos cinco anos anteriores de 32%. Quatorze por cento da safra já emergiu, dobrando a marca de 7% da semana passada.

Para o trigo de inverno, 27% da safra emergiu até o dia 02 de maio, contra 17% na semana anterior, mas ainda atrás do ritmo de 30% de 2020 e da média dos últimos cinco anos de 34%. As classificações de qualidade para o trigo de inverno caíram 1%, como esperado, para 48% da safra classificada em condições boas a excelentes. Outros 33% da safra foram classificados como regulares (um ponto acima da semana passada), com os 19% restantes classificados como ruins ou muito ruins (inalterado em relação à semana anterior).

Já nesta quinta (06), o USDA relatou que as vendas líquidas de trigo entre os dias 23 a 29 de abril totalizaram 95,6 mil toneladas safra 2020/21 com queda expressiva comparada a semana anterior e visivelmente abaixo da média de quatro semanas. Por outro lado as vendas de trigo safra 2021/22 foram de 399,6 mil tons, o que juntas então, somaram 495,2 mil tons. Isso estava dentro das estimativas de comércio que ficaram entre 100 e 750 mil toneladas.

As exportações de trigo norte-americano para o mesmo período tiveram resultados melhores em 7% que a semana anterior e 6% a mais que a média das quatro semanas anteriores, totalizando 585,6 mil tons. Os principais destinos foram: China (198,9 mil tons), México (88,4 mil tons) e Japão (59,2 mil tons).

MERCADO – Desde o começo da semana os agentes estiveram focados nos fatores climáticos que estão atuando sobre as áreas de trigo dos EUA, assim como, no progresso da safra. Além disso, o aumento da demanda da China pelo trigo para alimentação animal, como substituto do milho, também se tornou um fator que auxiliou no suporte de preços durante a semana.

A demanda por trigo segue em bom ritmo, especialmente por conta dos temores de uma redução da produção do cereal dos EUA na safra que está no campo, além obviamente, da valorização do milho que contribui diretamente para o aumento de outras commodities agrícolas.

Sendo assim, a semana se encerra com a cotação do trigo hard subindo entre 4,22% a 4,73% nos vencimentos de mai/21 a mar/22. Já os futuros do trigo soft, finalizam com alta de 3,67% a 4,48% para os mesmos prazos de entrega.

Fonte: AF News

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