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Trigo Balanço Semanal: perspectiva de menores ritmos de exportação e o aumento da oferta global desvalorização as cotações do trigo



A cotação do trigo chegou ao final de semana com uma queda média de 10% nos contratos do trigo hard e recuo de 6% a 7% nos futuros do trigo soft na Bolsa de Chicago

Trigo Brasil

comercialização do trigo continua em ritmo lento no Brasil neste período de entressafra, com os produtores focados no plantio e tratos culturais do cereal.

Deste modo, o preço do trigo não teve muitas mudanças nas principais regiões no decorrer da semana, fechando a R$ 83,00/saca no Rio Grande do Sul e R$ 86,20/saca em Santa Catarina, com variação semanal de 0,85% e 0,23% – respectivamente.

Somente no Paraná é que os índices tiveram perdas, de 3,66% na semana, passando de R$ 90,47/saca no dia 07/05 para R$ 87,16/saca em 14/05.

Segundo o Deral, em seu boletim semanal de progresso e condições de lavouras do Estado do Paraná, até  a última segunda, apenas 9% das áreas esperadas para o trigo foram semeadas, com avanço de somente 3% em uma semana. O plantio de trigo está atrasado, o que já ocorreu em outros anos. Mas neste ano, a situação é bastante preocupante, uma vez que o clima está seco e as perspectivas de chuva são baixas.

As qualificações de lavouras boas a excelentes continuam em 30%, mesmo índice da semana passada. Já as áreas regulares recuaram 1 ponto percentual para 69% e houve sinalização de 1% de áreas classificadas como ruins neste último relatório.

Segundo a avaliação do agrônomo e analista de trigo do Deral (Departamento de Economia Rural), Hugo Godinho, “a preocupação com o plantio é grande porque, a curto prazo, não há perspectiva de chuva”, afirma ele.

O Paraná é o principal produtor do cereal no país, e o estado tem potencial para produzir 3,8 milhões de toneladas nesta safra que ainda está sendo semeada.

No Rio Grande do Sul, conforme a atualização do boletim semanal da Emater-RS nesta quinta (13), a regional de Ijuí e Santa Rosa, já assinalaram que os produtores iniciaram o manejo químico – dessecação – das áreas destinadas ao cultivo do cereal neste inverno. Há tendência de concentração do plantio da cultura em junho, com perspectiva de aumento da área a ser cultivada na região devido ao preço do produto no momento atual e em função de cotações para o período da colheita.

A entidade ainda informou, que os custos de produção estão elevados, principalmente devido ao aumento do custo da semente e do adubo. Na regional de Bagé, há indicativos de aumento da área cultivada. Com boas perspectivas de mercado para a cultura, triticultores intensificam a aquisição de insumos e o planejamento do cultivo da próxima safra.

Nas regionais de Erechim, Soledade, Frederico Westphalen e Caxias do Sul, há tendência de aumento de área a ser implantada. Segue a elaboração de projetos para o custeio de lavouras. Na de Santa Maria, produtores de trigo já começaram os preparativos para a safra.

A preocupação do mercado, compradores e produtores, ainda continua focada no clima, pois mesmo com a incidência de chuvas em algumas regiões produtoras do Sul do país nos últimos dias, o nível de umidade do solo ainda não está completamente satisfatório para o desenvolvimento do trigo.

Essa situação interfere principalmente na continuidade dos trabalhos no campo, além da irregularidade do desenvolvimento do trigo, sem homogeneidade nas fases de cultivo, mas para alguns especialistas, ainda é cedo para dar qualquer indicativo de perda de produtividade, já que ainda falta muitas áreas a serem semeadas.

Até o momento, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a produção nacional de trigo poderá chegar a 6,4 milhões de toneladas na safra 2021. Ainda assim, vale ressaltar que o consumo interno anual é de 11,8 milhões de toneladas, o que mantém a necessidade do país em importar um volume superior a 6 milhões de toneladas.

Trigo Argentina

O plantio do trigo da Argentina está para começar a partir da segunda quinzena de maio e se estenderá por pelo menos os próximos dois meses se o clima colaborar. Com isso, as estimativas da produção da próxima safra já começam a ser levantadas.

Na quarta-feira (12), o Departamento de Agricultura dos EUA divulgou pela primeira vez suas projeções de produção da safra mundial de trigo para a temporada 2021/22, esperando que o país vizinho atinja uma produção recorde de 20,5 milhões de tons. No entanto, se ressalta que as previsões da Bolsa de Rosário são um pouco mais realistas, acreditando que a Argentina possa atingir volumes semelhantes aos 19 milhões de tons registrados na safra 2019/20.

Caso a produção se confirmasse, o saldo exportável de trigo argentino voltaria a casa dos 13,5 milhões de toneladas, o que resultaria em 3,06 milhões de tons de estoques finais.

Com relação a safra vigente 2020/21, o Departamento manteve os estoques iniciais em 1,72 milhão de tons, aumentou o consumo domestico total para 6,35 milhões de tons, mas diminuiu para 10,5 milhões as estimativas de exportações, volume inclusive bem alinhado com as previsões dos órgãos oficiais da Argentina.

Portanto, isso resulta em um estoque final 55% acima do que a previsão anterior, passando de 1,61 milhão de tons no WASDE de abril, para 2,51 milhões de tons no relatório de maio.

A cotação do trigo argentino continua em recuperação, diante do bom cenário comprador ativo no mercado. Na variação semanal, os indicadores do mercado spot se mantiveram estáveis com leve aumento de 0,35% finalizando a semana em US$ 283/ton.

Por outro lado, os contratos futuros tiveram aumentos na MATBA, Bolsa de Rosário e Bolsa de Cereales.

Os vencimentos do trigo entre mai/21 a dez/21 na Bolsa de Cereales aumentaram 2,26% a 3,35% na semana com cotações operando entre US$ 263/ton a US$ 280/ton.

Trigo Mercado Externo

A cotação do trigo dos EUA começou a semana registrando forte queda na Bolsa de Chicago, depois uma rodada de vendas técnicas motivada pela melhora das condições climáticas nas lavouras norte-americanas. Nem a melhora do volume das inspeções semanais foi capaz de dar ânimo ao mercado neste dia.

Segundo o USDA, as inspeções de exportação de trigo entre os dias 30 de abril a 06 de maio avançaram ligeiramente na contagem da semana anterior para 545,58 mil toneladas. Os dados estavam no limite superior das estimativas de comércio, que variaram entre 375 e 600 mil tons. A China foi o destino número 1, comprando 200 mil tons. Os totais acumulados para o ano comercial de 2020/21 ficaram ligeiramente à frente do ritmo do ano passado, com 23,697 milhões de tons.

Também na segunda o USDA atualizou seus dados de progresso das lavouras de trigo dos EUA, mostrando que 70% das áreas destinadas ao trigo primavera já foram semeadas até o último domingo (09), 1% a frente do que esperavam os analistas de mercado e 14% mais adiantado que igual período do ano passado. Na média dos últimos cinco anos o plantio do trigo primavera estava em 20% nesta mesma época.

Para o trigo de inverno, os analistas esperavam que as classificações de qualidade se mantivessem estáveis, com 48% da safra classificada em condições boas a excelentes, de fato este foi o número atualizado pelo USDA. O Departamento disse ainda que 33% das áreas se encontram regulares e 18% ainda estão com qualificações ruins ou muito ruins.

Na quarta-feira (12), dia mais esperado pelos agentes por conta da divulgação do relatório WASDE, o Departamento de Agricultura dos EUA divulgou pela primeira vez as suas previsões de oferta e demanda da safra 2021/22.

Com base em uma análise realizada por especialistas do mercado de commodities norte-americano, a safra de trigo dos EUA esperada para a temporada 2021/22 poderá ficar 3% maior do que a do ano passado, totalizando 50,95 milhões de toneladas. Apesar da forte demanda de exportação da China na campanha de comercialização de 2020/21, as exportações de trigo dos EUA provavelmente cairão em 2021/22 para dar lugar ao aumento da demanda doméstica de trigo.

O aumento da produção global provavelmente compensará os aumentos na alimentação do gado e no consumo humano de trigo na campanha de comercialização de 2021/22. Excluindo quaisquer eventos climáticos significativos entre o momento atual e a colheita, parece que os estoques globais de trigo permanecerão confortáveis o suficiente para saciar a demanda no novo ano de comercialização.

Voltando aos números, a safra global de trigo 2020/21 ficou praticamente inalterada em comparação ao WASDE de abril, em 776,1 milhões de toneladas, que acrescida aos estoques iniciais ficou em 1,075 bilhão de tons de oferta total mundial.

No balanço entre vendas e exportações que ficou em 199,65 milhões de tons, somado ao consumo doméstico mundial de 780,87 milhões de tons, os estoques finais do trigo 2020/21 ficaram em 294,67 milhões de toneladas, com queda de 0,29% ante o mês anterior.

Já para a safra 2021/22, a projeção do USDA é de uma produção mundial de trigo de 788,98 milhões de toneladas. O consumo doméstico previsto neste primeiro momento ficou em 788,68 milhões e o resultado dos estoques finais foram de 294,96 milhões de toneladas.

Por conta das expectativas do USDA ficarem acima das previsões do mercado com relação a produção de trigo dos EUA e ao mesmo tempo apresentar uma redução nas exportações da próxima temporada, os indicadores apresentaram um forte recuo no mercado durante a semana.

Mesmo com um viés mais otimista atuando nas cotações do trigo na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (14), os preços finalizam a semana com uma queda média de 10% nos contratos do trigo hard e recuo de 6% a 7% nos futuros do trigo soft.

Fonte: AF News

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