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Trigo Balanço Semanal: previsão de chuvas nas lavouras deprecia os preços do trigo no Brasil



O mercado do trigo brasileiro segue em ritmo lento de comercialização, com os produtores focados no plantio safra 2021

Trigo Brasil

preço do trigo encerrou a semana em queda no Brasil, pressionado pela melhora das qualificações das lavouras de trigo do Paraná, que estavam já sentindo o impacto da baixa umidade do solo, resultando no atraso do seu desenvolvimento.

Essa mudança nas classificações das áreas de trigo, vieram graças a presença de chuvas em algumas regiões produtoras nos últimos dias, que ainda não foram o suficiente para dar um norte de otimismo por toda a safra, mas já auxiliaram na aceleração do plantio do trigo nas lavouras paranaenses.

Segundo o Deral, em levantamento realizado na terça (18), as áreas de trigo chegaram a 26% do estimado para a safra 2021 até a última segunda-feira (17), contra os 9% que haviam sido semeados na semana anterior, representando um avanço de 15%.

Do trigo que se encontra no campo, 93% está em fase de germinação e 7% já passou para o estágio de desenvolvimento vegetativo.

O fator de maior importância no relatório são as qualificações de lavouras, que segundo o Deral, apresentaram melhora de 41% em uma semana, passando de 30% para 71% as áreas classificadas como boas a excelentes. As lavouras regulares ficaram em 28% e ruins se mantiveram em 1%.

Já em Santa Catarina, a última semana marcou o inicio do plantio de trigo no estado, que deve ir até o final de junho. De acordo com o último boletim agropecuário do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola – CEPA/Epagri nº 95, para a nova safra 2021/22, é esperado um aumento de até 10% na área de cultivo, principalmente nas regiões do Planalto Sul, Planalto Norte e Oeste de SC.

Muitos produtores já estavam preparados para esse começo de semeadura, se antecipando nas compras de insumos e sementes, dando indicativos de aumento na intenção de plantio.

Os fatores que auxiliam os produtores catarinenses a fundamentar esse aumento nas estimativas de área de plantio de trigo para a safra 2021/22, são: a) alta nas cotações do dólar, o que inibe a aquisição de trigo importado, favorecendo as vendas e as cotações do trigo nacional; b) aumento na demanda, manifestada pela intensão dos moinhos em adquirir novos lotes do produto; c) melhor utilização dos componentes do custo de produção, como máquinas e mão de obra, além da melhoria nas condições de solo para o plantio direto de culturas de verão e intensificação na utilização das áreas de cultivo (inverno e verão).

No Rio Grande do Sul, segundo maior estado produtor de trigo do país, a Emater-RS informou nesta quinta (20), em seu boletim semanal, que algumas regiões já deram inicio a semeadura.

Na regional de Ijuí, o início da semeadura do trigo nos municípios começou no dia 11 de maio, mas ainda em ritmo bastante lento. O preço elevado do produto e disponibilidade de semente salva nas propriedades impulsiona para aumento maior da área prevista inicialmente de cultivo na região.

Em Santa Rosa, a previsão é que o plantio atinja uma área de aproximadamente 255.670 hectares na safra 2021, com aumento de área em relação à anterior. Com umidade no solo, os agricultores deram início ao plantio, uma vez que o período preferencial de plantio recomendado pela pesquisa para a Fronteira Noroeste vai de 10/05 a 5/07 e para as Missões é entre 21/05 e 20/07, com previsão de intensificação em junho.

Na regional de Bagé, técnicos municipais iniciaram o levantamento da intenção de semeadura. Indicações de provável aumento da área cultivada para safra 2021. Durante a semana, triticultores intensificaram o planejamento do cultivo e a aquisição de insumos.

Na regional de Frederico Westphalen, produtores estão finalizando a sistematização de áreas para o plantio. Em decorrência da elevação dos preços dos fertilizantes e produtos químicos muitos agricultores já adquiriram os insumos.

Na de Caxias do Sul, há uma sinalização de forte incremento na área cultivada com trigo na próxima safra devido à valorização do grão.

Em Soledade, conforme zoneamento agrícola de risco climático, a semeadura da cultura começa no último decêndio de maio e se estende até fim de julho para alguns municípios com maiores altitudes como Soledade e Encruzilhada do Sul. Para evitar danos por geadas em agosto, muitos triticultores concentram a semeadura em meados de junho de forma a não coincidir a fase de florescimento com possibilidade de ocorrência de geadas.

Na de Porto Alegre, produtores estão em plena semeadura do trigo. A expectativa de área semeada é de 700 hectares em Minas do Leão e 260 hectares em Arroio dos Ratos.

Voltando aos preços, não foram apenas as precipitações ocorridas nas lavouras que trouxeram queda ao trigo durante os últimos dias. A baixa do cereal no mercado externo, que recuou mais de 5% na semana, também contribuiu para essa desvalorização do grão.

Considerando a tabela de paridade e um dólar mais fraco atuando no câmbio, é possível ver que a relação de preços do trigo do Brasil continua sendo uma das mais vantajosas para os compradores domésticos, porém, vale o produtor ficar atento aos outros países fornecedores do Brasil, para que o trigo importado, neste período de baixa no exterior, não se torne uma matéria-prima mais atrativa que a nacional.

Trigo Argentina

A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), informou no encerramento da semana (21), que os negócios antecipados da safra de trigo 2021/22 da Argentina chegaram a seus máximos históricos.

Até o momento nesta semana, conforme divulgado pelo Ministério da Agricultura, foram agregados atestados de vendas ao exterior (DJVE) de trigo 2020/21 por 280 mil toneladas, acumulando compromissos externos por 9,6 milhões de tons. Assim, o ritmo está 21% abaixo do registrado para a mesma data do ano anterior, embora supere a média dos últimos 5 anos (9,13 Mt). Ao mesmo tempo, esse total representa 96% do total que se projeta exportar ao longo do ciclo comercial, 6% abaixo do volume do ano anterior. Ou seja, a Argentina tem cerca de meio milhão de toneladas para colocar no mercado internacional nos próximos seis meses.

Com as vendas externas de trigo praticamente encerradas para a atual temporada, o foco do mercado muda para a nova safra, onde as compras antecipadas de grãos para 2021/22 pela indústria e exportações alcançaram um recorde histórico de 3,15 milhões de toneladas , quase dobrando os 1,67 milhões de tons que foram negociados no mesmo período do ano anterior e mais de três vezes a média dos últimos cinco anos, de acordo com a SIO Grains. Do total vendido, 73% já tem preço firme, aproveitando a boa dinâmica de preços.

As vendas para o exterior da nova campanha 2021/22, por sua vez, com 2,5 milhões de toneladas, dobram os recordes do ano passado, quando foram vendidos 1,3 milhão de tons da nova campanha para este auge de 2020 e os 1,2 milhão de tons de 2019.

Nesta semana, os preços locais não ficaram imunes à dinâmica internacional de baixa e fecharam em torno de US$ 230/tonelada, enquanto os futuros de maio da MatbaRofex estão sendo negociados em torno de US$ 224/t. Apesar dessas quedas, os valores listados ainda estão 35% acima dos valores observados na mesma data do ano anterior.

Trigo Mercado Externo

As cotações futuras do trigo tiveram um forte declínio no mercado externo nesta última semana. A presença de chuvas nas lavouras dos EUA melhoraram os níveis de umidade do solo, mas não auxiliaram nas qualificações das lavouras do cereal, mesmo assim, os indicadores recuaram.

De acordo com o levantamento semanal realizado pelo Departamento de Agricultura dos EUA, até o último domingo (16), 85% das lavouras de trigo de primavera foram semeadas, representando avanço de 70% em suma semana, adiantamento de 28% em comparação ao mesmo período da safra passada e 6% a frente da média das últimas cinco safras. Os dados informados pelo USDA ficaram 1% atrás do esperado pelos analistas que previam 86% das áreas plantadas até o último domingo.

Do cereal de primavera que já se encontra plantado, 47% já emergiu, contra os 28% que tinham atingindo esta fase em igual período do ano anterior e 36% na média dos últimos cinco anos.

Para a safra de trigo de inverno, os analistas esperavam que a classificação de qualidade fosse para 50% entre condições boas a excelentes, porém, apenas 48% do trigo ficou nestas condições, com uma piora de 1% em comparação a semana anterior. Outros 33% seguiram em situação regular e 19% foram qualificados em condições ruins ou muito ruins, aumento de 1% em uma semana.

Também na segunda, o USDA divulgou dados sobre as inspeções de exportação de trigo, que melhoraram mais de 17% em uma semana, chegando a 658,50 mil toneladas entre os dias 06 a 13 de maio. Os volumes de vistorias foram melhores do que as estimativas comerciais, que ficaram entre 300 e 600 mil toneladas. As Filipinas lideraram todos os destinos, adquirindo 110 mil tons. Os totais acumulados para 2020/21 aumentaram ligeiramente sua pequena liderança em relação ao ritmo do ano passado, passando para 24,374 milhões de tons.

Na Ucrânia, a consultoria APK-Inform lançou novas estimativas sobre a safra de trigo de 2021 do país, informando que a produção nacional deverá chegar a 27,6 milhões de toneladas. Isso representaria um aumento ano a ano de 10,8%, se confirmado.

Essa nova alta de produção tornaria a Ucrânia o sexto maior exportador de trigo do mundo. O clima favorável tem apoiado o plantio e o desenvolvimento antecipado da safra nesta primavera, o que é um bom presságio para as perspectivas de exportação da Ucrânia no próximo ano de comercialização de 2021/22.

Enquanto isso na China, as importações de trigo do país asiático alcançaram 900 mil toneladas em abril, um aumento de mais de 146% em comparação a igual período do ano anterior. As importações acumuladas no ano estão em 3,83 milhões de toneladas, estando quase 135% acima do ritmo de 2020 até agora.

Na Europa, a associação europeia de comércio de grãos, Coceral, aumentou suas estimativas para a produção de trigo mole da UE 2020/21 para 131 milhões de toneladas, um aumento de 3,4% em relação à projeção de março. O grupo também aumentou ligeiramente suas estimativas para a produção de milho da UE em 2021, agora em 64,7 milhões de tons.

Já no término da semana, o USDA lançou novos dados sobre as vendas líquidas e exportações de trigo dos EUA, informando que no período de 07 a de 13 maio, a comercialização do cereal norte-americano safra 2020/21 totalizou 121 mil toneladas, com um salto em comparação a semana anterior e 21% a frente da média de quatro semanas.

Considerando as duas safras, foram vendidas 438,70 mil t na semana encerrada em 13 de maio. O volume em 2020/21 ficou dentro das expectativas do mercado, que oscilavam entre 75 e 150 mil t, assim como de 2021/22, com estimativas de 150 a 350 mil t.

As exportações de trigo dos EUA para o período totalizaram 568,60 mil toneladas, uma alta de 9% ante a semana anterior e 3% acima da média de quatro semanas anteriores, com destaque para compras de 110,90 mil toneladas pelas Filipinas.

Já na sexta-feira (21), mais uma rodada de vendas técnicas nos futuros do trigo foi realizada pelos traders, que estão com expectativas de melhores safras e qualidade nas planícies dos EUA, além da alta competição internacional sobre a comercialização do grão.

Os preços do trigo na Europa também encerraram a semana em baixa, com a perspectiva de maior potencial de rendimento. “A situação da safra melhorou em todo o mundo”, observou um trader francês. “Também tivemos fundos de investimento cortando posições e fazendeiros vendendo um pouco.”

Sendo assim, os futuros do trigo hard recuaram entre 3,72% e 5,13% na semana de 14 a 21 de maio, enquanto que o trigo soft sofreu perdas de 3,50% a 4,67% para o mesmo período.

Fonte: AF News

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