Na contramão das demais commodities agrícolas, os futuros do trigo sobem 2% neste início de semana na Bolsa de Chicago refletindo o agravamento das tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia. A possibilidade de uma invasão russa ao território ucraniano impacta diretamente no mercado do cereal, uma vez que trata-se do maior exportador global do grão no caso da Rússia e dos seis maiores do mundo quando se trata da Ucrânia.
Assim, no final da tarde desta segunda-feira (24), os futuros do trigo subiam entre 13,75 e 15,50 pontos, voltando a se aproximar dos US$ 8,00 por bushel na CBOT. O março tinha US$ 7,95 e o maio, US$ 7,99. Segundo analistas e consultores, embora haja outras variáveis impactando o andamento da commodity agora, o conflito se tornou o principal foco dos participantes do mercado neste instante.
O quadro global de oferta e demanda do trigo já vinha de meses de aperto, depois de uma quebra por conta de adversidades climáticas nos principais países produtores. E uma invasão russa na Ucrânia poderia agravar ainda mais este cenário, com os eventuais embargos que poderiam ser feitos ao cereal da Rússia. Frente a isso, os futuros do trigo chegaram a marcar os US$ 8,00 na semana passada, pela primeira vez desde dezembro.
Em uma nota da ING Groep NV divulgada pela Bloomberg, seu head de commodities, Warren Patterson, afirmou que “dependendo da escala de quaisquer ações militares, a produção e a exportação ucraniana de commodities agrícolas, incluindo trigo e milho, poderiam ser bastante afetadas.
Do mesmo modo, para a Rússia, as sanções financeiras poderiam dificultar muito o comércio e as exportações de produtos agrícolas também seriam duramente afetadas.
Ainda segundo os especialistas ouvidos pela agência internacional de notícias, as tensões se intensificando na fronteira entre os dois países é tida hoje como uma das principais ameaças aos mercados globais e sua recuperação. Mesmo que Vladimir Putin tenha, repetidamente, afirmado que não tem planos de avançar com a invasão, há muitos chefes de estado – entre eles o presidente americano Joe Biden – acreditando que o contrário pode acontecer.
Em ambas as nações o reflexo sobre suas moedas e mercados acionários é imediato. O mercado de gás natural é outro a sentir os impactos de forma bastante agressiva, com altas que hoje passam de 1% e, de acordo com o Goldman Sachs, as cotações do gás poderiam revisitar seus recordes diante das tensões, já que a Rússia poderia interromper o fornecimento prara a Europa, diante da escalada das tensões, por tempo indeterminado.
Para o mercado de fertilizantes, o impacto ainda não chegou. “O mercado só está acompanhando, mas se as coisas se intensificarem, acredito que o impacto pode vir. Mas, até agora, o que temos é uma forte queda para os nitrogenados. O restante continua sem mudanças”, afirmou Jeferson Souza, analista de mercado da Agrinvest Commodities.
Fonte: Notícias Agrícolas




